Blog "Você Sabia"

Ler para entender o mundo

Por Gerson Luis Carassai*

Ler é muito mais difícil e complexo do que imaginamos. O nosso objeto de leitura não está concentrado naquilo que chamamos de livro ou no que entendemos como tarefa de casa ou ainda como aprofundamento teórico envolvendo o nosso campo de trabalho. Somos desafiados, a cada momento, a ler o mundo e, sem termos exercitado o olhar seletivo e crítico, corremos um grande risco de desempenharmos o papel de leitores leigos ou, pior, de não leitores.

Nossos estudantes recebem muita informação, mas não sabem ao certo como transformá-la em conhecimento. Respondem com facilidade a comandos claros, intuitivos, imperativos, mas se perdem frente a questões contextualizadas que exijam deles a tomada de decisões ou a resolução de situações-problema.

Pesquisas recentes levantaram dados coletados em avaliações de larga escala que comprovam que a maior dificuldade na resolução de questões matemáticas está relacionada à interpretação de texto. E é fato! Basta prestarmos atenção em qualquer avaliação desta disciplina que chegaremos às mesmas conclusões.

Em uma conversa recente, uma professora contava que, ao colocar as provas que havia aplicado em ordem alfabética, a resposta dada por uma aluna do sexto ano chamou sua atenção. O problema dizia que a aluna, que aqui vamos chamar de Bruna, havia ido ao shopping com certa quantia de dinheiro e comprado duas camisetas do mesmo valor. Não perguntava quanto havia gasto no total, mas com quanto dinheiro havia voltado para casa. Segundo a aluna, ela voltaria para casa com um valor maior do que dispunha inicialmente. Enquanto tentava entender a linha de raciocínio utilizada, a aluna apareceu na porta da sala e, sem hesitar, a professora pediu para que ela revisse a questão. A aluna não percebeu o erro mesmo com a insistência da professora dizendo que ela não poderia ter voltado para casa com mais dinheiro depois de ter feito compras. Depois de algum tempo, a professora percebeu que a Bruna simplesmente não conseguia interpretar o enunciado.

O problema é que nossas listas de chamadas estão cada vez mais repletas de Brunas. Este índice tem aumentado, porque a geração da pressa, do intervalo, do tudo pronto, não tem exercitado a leitura tanto quanto deveria. Lê em curtos espaços de tempo, intercalados ou em paralelo a outros estímulos visuais e sonoros. Lê sinopses e resumos divulgados na internet. Lê porque precisa ou porque vale nota. Não aprende a ler por prazer.

Entretanto, como pais e educadores, devemos incentivar a leitura, mesmo que, para a sua prática, seja necessária a compra de livros. Devemos ver este ato como investimento e não como gasto. Então, neste ano, sugerimos incluir nas datas comemorativas o dia 23 de abril, que foi instituído pela UNESCO, em 1995, o Dia Mundial do Livro. Se você tem filhos, leve-os na biblioteca pública ou na livraria. Ajude-os na escolha. Dê tempo para que folheiem, para que encontrem o livro que produza neles o encantamento necessário para provocar a frase “Eu quero esse!”. Se você tem alunos, incentive-os a fazer um intercâmbio de livros, das histórias descobertas neles e das emoções sentidas a partir delas. Independentemente da idade que tenham, ainda podemos ensiná-los que dentro dos livros existem outros mundos que só chegaremos a conhecer se tomarmos a iniciativa de abri-los.

*Gerson Luis Carassai é diretor de negócios da Rede Marista de Colégios

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